segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O homem que não conseguia parar


O livro é uma viagem do autor pela doença, desde os primeiros casos conhecidos da POC, passando por artigos, os mais aberrantes casos, as mais recentes investigações científicas e muito da sua vivência pessoal relacionada com a doença, tentando mostrar o quanto esta é complexa e vai muito além da ideia estereotipada do obsessivo-compulsivo como o que lava as mãos até sangrar e arruma as camisas e cuecas por dias da semana. Diz ele que é tão útil dizer a um obsessivo que os seus medos são irrealizáveis, quanto dizer a um depressivo para se animar. Explica como os seus pensamentos obsessivos sobre o receio de apanhar HIV nas situações mais caricatas se tornam o foco da sua vida que acaba por decorrer em piloto automático e como as compulsões se tornam insuportáveis depois do nascimento da filha. 

Contudo faltou-lhe (para mim) um ponto de vista mais psicodinâmico (ficou-se pelo Freud, com quem é extremamente fácil embirrar por variados motivos, sobretudo se nunca tivermos em conta que as suas conclusões têm mais de 100 anos) e simbólico, porque assim parece que o livro acaba com uma certa descrença e fatalismo, como se todos os doentes mentais (conceito já de si muito subjectivo) tivessem nascido com um fusível estragado no cérebro e que é uma coisa que lhes aconteceu e pronto, alguém agora tem que inventar um medicamento para os arranjar.

Para quem não sabe, existe em Portugal uma associação de apoio ao paciente (e familiares) com perturbação obsessivo-compulsiva. A seguir gostava de ler o livro do Andrew Solomon sobre a depressão. Alguém sabe se está traduzido para português? Aparentemente não e não sei se estou preparada para destrinçar aquilo com o meu inglês preguiçoso.

Allgarve

as salinas de castro marim, vistas do castelo 
(onde já se preparava a famosa feira medieval)


- ia a contar com água muito quente, mas parece que levei o clima de sintra: água fria e vento;
- dá para reconhecer há quanto tempo as pessoas lá estão pelo tom de pele;
- está cheio de espanhóis que têm uma noção de bolha muito particular: se vir uns pés em cima da sua toalha, provavelmente são espanhóis*;
- tem pessoas mais produzidas para jantar num sítio que se chama zé da tasca** do que no bar de praia pézinhos n'areia;
- na mesma praia (praia verde) encontrei um camaleão e encontrei avisos sobre os mesmos na ilha de tavira;
- detestei monte gordo, parece-me a tapada das mercês mas em frente à praia, e representa tudo o que mais detesto no algarve;
- adorei tudo o resto: castro marim, vila real de santo antónio, tavira e até vilamoura;
- pensei que ia encontrar muito bom peixe grelhado e já vi que não: chocos, bacalhau e bifes de atum comam-nos vocês***;
- o mundo é pequeno: fomos ao hospital lá e o médico que nos atendeu tinha vivido na nossa rua até aos 30 anos;
- as portagens da A22 terão provavelmente o valor mais alto por km que já vi, o que não é muito justo para quem vive lá os outros 9 meses do ano em que o algarve não é um destino turístico e que teriam toda a vantagem em trabalhar nas cidades e viver no interior da região;
- é muito rica a diferença do algarve litoral para o algarve do interior;
- o ano passado explorei mais a zona de sagres e este ano andei mais pelo sotavento, mas quero voltar para explorar melhor o centro e interior e de preferência sem ser em agosto.


* apesar de pessoalmente não ter nenhuma embirração pessoal com espanhóis, muito pelo contrário.
** a julgar pelos olhares reprovadores na fila, cometi o erro de ir para lá directa da praia.
*** vá, comi uma vez peixe espada grelhado, com o dobro da dose normal.

Suspiro


sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

A fechar a loja





































Boyoun Kim

partidas e chegadas

Começo e acabo a semana com despedidas*. E não é de férias, é mesmo adeus.
Já sei que a vida é feita de partidas e chegadas, mas caramba, parece que fiquei aqui no cais de embarque.


* e não gosto nada

terça-feira, 29 de Julho de 2014

A seguir aguardo visões sobre resultados do euromilhões (olha até rimei)



Em todas as aulas de yoga eu me debato com o relaxamento. Primeiro porque o ponto óptimo entre relaxar e adormecer é tão difícil quanto fazer o pino (que não faço). Estou sempre com medo de ser acordada pela professora enquanto ressono e me babo. Hoje houve uma rapariga que adormeceu e só se levantou quando já estávamos a meio de outro exercício e teve a minha total empatia.

Segundo, eu sou uma pessoa que consegue sonhar entre duas estações de comboio (juro, já aconteceu). E quando chego à cama adormeço em dois segundos, mas se falarem comigo a seguir, eu converso. E como é óbvio, não digo pão com chouriço. Sinto-me um bocadinho como aquelas pessoas hipnotizadas que fazem de galinhas ou de outras figuras humilhantes. Bom mas vinha aqui dizer que hoje no yoga consegui (mais uma vez) não adormecer, mas guardo a vaga ideia de estar a sonhar com um miúdo pequeno de cabelo lambido que queria assassinar a mãe.

Os ciclistas irritam-me

Irritam-me quando não param nos sinais vermelhos (já vi), irritam-me quando não param nas passadeiras (já vi), irritam-me quando andam pelos passeios quando a estrada está demasiado cheia e não lhes interessa (já vi). Quanto a esta ultima, por mim podem andar no passeio, desde que transportem a bicicleta ao lado (como fariam numa subida) e que não utilizem o passeio como uma estrada desimpedida e à velocidade que lhes apetece, com peões a escassos centímetros. 

Não me debrucei muito sobre o assunto, acredito que hajam nuances, mas à partida não percebo porque deve ser sempre o seguro de um automobilista a pagar a despesa de um acidente ainda que ele tenha sido causado por um ciclista, com a justificação de que a bicicleta é “boa para a saúde, ambiente e economia”. Parece-me que se levar com uma em cima, estou-me perfeitamente a borrifar se foi bom para o ambiente e para a economia ou para a saúde dos restantes.

Muitos direitos poucos deveres é?

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Espero que se dêem bem nas férias


Dei-me conta que fechei o ano com os Antónios e agora vou de férias com os David. Eu juro que não faço de propósito.

Mudasti

daqui
Tenho perfeita noção que esta imagem não transmite a noção de foleiro que eu estava a falar,
porque provavelmente não existem bikinis foleiros em corpinhos super model.
Mas prontes, imaginem num corpinho de pessoa normal.

A Calzedonia costumava ser sinónimo de bikinis tão caros quantos giros. Bom um de nós mudou. Há pouco entrei lá e tinha mais de "dezáine" ao gosto chinês (que se caracteriza pelo mais é sempre demais) do que giro. O que não tinha missangas nem brilhantes tinha cor fluorescentes em degradé com renda. Como dizia um professor meu na faculdade à minha centésima tentativa de terminar o trabalho: "olhe vamos tentar assim: faça tudo de novo, mas agora só com azul e prateado".

Ultimamente

Praia de São Julião
(isto foi o fim do mundo que se abateu ontem sobre a praia ao fim do dia,
depois de um óptimo dia de sol)


Vestir de manhã a roupa que preparei de véspera é um acto de fé. Porque até o meu maior optimismo se amedronta em calçar sandálias e vestir saias quando olha pela janela e vê o cenário pré-apocalíptico das manhãs de Sintra.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

I hate you all


Já percebi porque é que o facebook faz as pessoas infelizes. É ver os outros a ir de férias. A sério, não posso mais ver fotos de pés, comida e praias. Será que se divertem ou estão demasiado ocupados a segurar o telemóvel?

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Férias em agosto é um desgosto

Agosto era aquele mês que eu passava alegremente a trabalhar e a ver a decadente volta a portugal ao almoço e ao lanche enquanto aguardava pelas minhas férias em setembro (na semana dos meus anos de preferência), onde normalmente também ia alegremente para fora. Mas desde há uns anos para cá que tenho férias obrigatórios nos primeiros 15 dias de agosto. E assim se derretem metade das minhas férias num mês que sempre detestei por tudo: pelo calor a mais, pelas pessoas a mais e pelo valor a mais com qualidade de férias a menos. 


Em anos anteriores já tentei o norte, já fui para o centro, mas agora queria ir para o sul sem morrer de calor no meio do alentejo (praias fluviais cadê?) mas também sem as multidões do algarve. De repente o País parece-me pequeno e sobrelotado. Porque não ides todos para fora de férias hein?