terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Não morra já, preencha aqui uns papéis

No outro dia enquanto descíamos a rua para ir almocar, vimos um senhor a ser atropelado (óptimo para se perder a fome). Prontamente uma colega minha ligou para o INEM. Parámos mesmo em frente à placa toponímica e rapidamente informou do nome da rua e da praça onde estávamos. Explicou que era atropelamento, que era um senhor idoso, que estava consciente e deitado no chão enquanto alguém lhe imobilizava a cabeça. Pergunta do outro lado: "mas em que freguesia é que está?"

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Coitadinhos dos taxistas, já ninguém quer andar de táxi

Hoje pedi a um taxista que me trouxesse ao trabalho na hora de almoço e ele recusou-se "porque é já ali", ainda se riu na minha cara e virou-me costas. Eu realmente tenho muita pena dos taxistas e de ninguém andar de táxi, porque se 4€ para subir uma rua em 5 min não lhes chega, começo a questionar-me para que temos a cidade e a estrada cheia de aventesmas inúteis. Só lhes compensa se o quê, formos para Coimbra?

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

O Gato Fica


Ontem deixei internada no veterinário uma das gatas dos meus pais. Por baixo do espaço onde ficou e com um espaço duas vezes superior ao dela, estava "em hotel" um gato completamente saudável (com energia, vontade de brincar, etc) cujos donos tinham ido de férias. Fez-me imensa confusão pensar que um gato saudável vai ficar confinado a uma caixa com grades durante dias a fio. Por mais boa vontade que os donos possam ter, não sei como não percebem o quão cruel é deixar um bicho fechado ali dentro. Os hotéis para gatos também não são melhores. Simplesmente não se adapta ao feitio de um gato ser deixado pelos donos num sítio desconhecido, por mais agradável à vista que possa ser.

Para mim, o futuro são os serviços de catsitting como O Gato Fica, em que a Joana se encarrega de ir a casa ver do (ou dos) gato(s) umas horas por dia, trata das necessidades básicas, brinca com eles, escova-os e e ainda envia fotos para os donos. E eles ficam na casa que conhecem. A Joana claro não se multiplica e só está por Lisboa, mas parece-me uma ideia interessante para alargar a outras cidades.

Poupem-me a beleza

Não é novidade nenhuma que ninguém gosta do novo acordo ortográfico, mas um Sr. Dr. Magistrado recusar receber um processo escrito com o novo acordo, defendendo que "os factos não são fatos" e "os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso" é no mínimo, parolo. Ninguém explica ao senhor quais foram as alterações?

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Gatos encontrados


Não são gatos perdidos, são gatos abandonados. Sei lá, 90% das vezes?

Porque é que os "donos" não poupam trabalho e os abandonam logo nas instituições? Escusava uma pessoa de andar a colar cartazes, a partilhar fotografias, a chatear-se.

(é que tenho visto tantos gatos a serem "encontrados" nos últimos dias, parece quem escolheram o tempinho bom para os deixarem na rua à sua sorte)

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Os velhos do Restelo do Ice Bucket Challenge

Já se questionaram quanto gastam de água em banhos diários? E quanto gastam só à espera que o esquentador aqueça a água? Eu sei, 5 litros. Um garrafão de cada vez que tomo banho. A minha solução foi encher dois garrafões alternadamente, que uso depois para regar as plantas.

Já pensaram quanto se gasta em autoclismos ou em garrafas de água nos restaurantes que ficam a meio? Quanto se gasta nas regas ao meio dia? Quanto se gasta de água em spas, tão na moda? Quanto se gasta em piscinas? Muitas delas com água de furos, que nem paga foi.

Nós gastamos muita água, é um facto. E sempre fui sensível a essa questão. Tento poupar em algumas coisas, noutras não consigo porque por exemplo, me dá prazer estar 20 min no banho. O Ice Bucket Challenge pode não ser a maneira mais eficiente e directa de resolver problemas a quem tem esclerose lateral amiotrófica (um donativo também me parece mais óbvio) mas o que é facto é que tem dado muitos minutos de fama a uma doença de que pouco se fala. Têm outra solução para ajudar? Óptimo! É preferível arranjar soluções a problemas.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Pessoas com cães que vivem na cidade

Por amor de deus, passeiem os cães com trela. Ainda há pouco saí de casa a correr com os ganidos de um cão que tinha acabado de ser atropelado, mesmo em frente ao dono. Parece que o bicho saiu disparado directamente da porta da rua para a estrada e não há condutor que consiga ver uma coisa com dois palmos de altura a pôr-se debaixo das rodas. O bicho fazia tal barulho que toda a gente veio à janela ver o que se passava. A culpa? Do idiota do dono. Desculpem, mas para mim só pode ser idiotice.

Pelo mesmo motivo, uma amiga minha atropelou mortalmente um cão cujo dono achou que tinha piada passeá-lo livremente numa praceta, no meio dos carros. Mais uma vez, ninguém consegue ver um bicho de dois palmos a pôr-se debaixo de um carro, no meio de outros carros.

Se querem dar-lhes liberdade levem-nos para a praia na época baixa, mas não lhes dêem uma morte estúpida por favor.

Tomem lá mais cinco razões.

Entre a esperança infatigável e a sensata ausência de expectativa

"Tinha lido em Plutarco uma lenda de navegadores relativa a uma ilha situada nestas paragens vizinhas do mar Tenebroso, e para onde os Olímpicos vitoriosos teriam, há séculos, repelido os Titãs vencidos. Esses grandes cativos da rocha e da vaga, para sempre flagelados por um oceano sem sono, incapazes de dormir, mas incessantemente ocupados a sonhar, continuariam a impor à ordem olímpica a sua violência, a sua angústia, o seu desejo perpetuamente crucificado. Reencontrava naquele mito colocado nos confins do mundo as teorias dos filósofos que havia feito minhas: durante a sua vida breve, cada homem tem sempre que escolher, entre a esperança infatigável e a sensata ausência de expectativa, entre as delícias do caos e as da estabilidade, entre o Titã e o Olímpico. A escolher entre eles, ou a pô-los, um dia, de acordo um com o outro."

Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O homem que não conseguia parar


O livro é uma viagem do autor pela doença, desde os primeiros casos conhecidos da POC, passando por artigos, os mais aberrantes casos, as mais recentes investigações científicas e muito da sua vivência pessoal relacionada com a doença, tentando mostrar o quanto esta é complexa e vai muito além da ideia estereotipada do obsessivo-compulsivo como o que lava as mãos até sangrar e arruma as camisas e cuecas por dias da semana. Diz ele que é tão útil dizer a um obsessivo que os seus medos são irrealizáveis, quanto dizer a um depressivo para se animar. Explica como os seus pensamentos obsessivos sobre o receio de apanhar HIV nas situações mais caricatas se tornam o foco da sua vida que acaba por decorrer em piloto automático e como as compulsões se tornam insuportáveis depois do nascimento da filha. 

Contudo faltou-lhe (para mim) um ponto de vista mais psicodinâmico (ficou-se pelo Freud, com quem é extremamente fácil embirrar por variados motivos, sobretudo se nunca tivermos em conta que as suas conclusões têm mais de 100 anos) e simbólico, porque assim parece que o livro acaba com uma certa descrença e fatalismo, como se todos os doentes mentais (conceito já de si muito subjectivo) tivessem nascido com um fusível estragado no cérebro e que é uma coisa que lhes aconteceu e pronto, alguém agora tem que inventar um medicamento para os arranjar.

Para quem não sabe, existe em Portugal uma associação de apoio ao paciente (e familiares) com perturbação obsessivo-compulsiva. A seguir gostava de ler o livro do Andrew Solomon sobre a depressão. Alguém sabe se está traduzido para português? Aparentemente não e não sei se estou preparada para destrinçar aquilo com o meu inglês preguiçoso.

Allgarve

as salinas de castro marim, vistas do castelo 
(onde já se preparava a famosa feira medieval)


- ia a contar com água muito quente, mas parece que levei o clima de sintra: água fria e vento;
- dá para reconhecer há quanto tempo as pessoas lá estão pelo tom de pele;
- está cheio de espanhóis que têm uma noção de bolha muito particular: se vir uns pés em cima da sua toalha, provavelmente são espanhóis*;
- tem pessoas mais produzidas para jantar num sítio que se chama zé da tasca** do que no bar de praia pézinhos n'areia;
- na mesma praia (praia verde) encontrei um camaleão e encontrei avisos sobre os mesmos na ilha de tavira;
- detestei monte gordo, parece-me a tapada das mercês mas em frente à praia, e representa tudo o que mais detesto no algarve;
- adorei tudo o resto: castro marim, vila real de santo antónio, tavira e até vilamoura;
- pensei que ia encontrar muito bom peixe grelhado e já vi que não: chocos, bacalhau e bifes de atum comam-nos vocês***;
- o mundo é pequeno: fomos ao hospital lá e o médico que nos atendeu tinha vivido na nossa rua até aos 30 anos;
- as portagens da A22 terão provavelmente o valor mais alto por km que já vi, o que não é muito justo para quem vive lá os outros 9 meses do ano em que o algarve não é um destino turístico e que teriam toda a vantagem em trabalhar nas cidades e viver no interior da região;
- é muito rica a diferença do algarve litoral para o algarve do interior;
- o ano passado explorei mais a zona de sagres e este ano andei mais pelo sotavento, mas quero voltar para explorar melhor o centro e interior e de preferência sem ser em agosto.


* apesar de pessoalmente não ter nenhuma embirração pessoal com espanhóis, muito pelo contrário.
** a julgar pelos olhares reprovadores na fila, cometi o erro de ir para lá directa da praia.
*** vá, comi uma vez peixe espada grelhado, com o dobro da dose normal.

Suspiro


sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

A fechar a loja





































Boyoun Kim

partidas e chegadas

Começo e acabo a semana com despedidas*. E não é de férias, é mesmo adeus.
Já sei que a vida é feita de partidas e chegadas, mas caramba, parece que fiquei aqui no cais de embarque.


* e não gosto nada