quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A madonna também cai


Mas não parte o pescoço. Eu acho que já não me levantaria do chão.

Portugal está diferente

Tenho amigos desempregados há mais de três anos que procuram por todas as soluções para se irem aguentando, desde fazer rissóis a workshops. Vão a casa dos pais procurar por restinhos para fazerem sopa. Quando está frio vão para casa dos pais para se aquecerem.
Tenho amigos que partiram porque não havia aqui nada para eles.
Tenho um amigo que parte este mês porque não encontra trabalho.
Tenho amigos que partiram e gostariam de criar os filhos perto dos pais, mas continua a não haver aqui nada para eles.
Não há estatísticas que me convençam. Portugal está diferente sim, mas não me venham tentar convencer que é para melhor.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Se um dia colonizarmos Marte

Os benfiquistas e os sportinguistas ferrenhos ficam tá? Já não vos posso ouvir. O diz que disse que fez não se aguenta. Ficam.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Psiquiatria vintage

Doentes psiquiátricos perdem acesso a medicamento depois de preço subir 348%.

O laboratório aumentou o preço e o Infarmed decidiu que assim não quer. Não sei que liberdade legal tem e se tem, porque deixaram que tivesse, um laboratório de aumentar livremente o valor de um medicamento que já está no mercado há alguns anos pelo menos, sobretudo um medicamento psiquiátrico, que é de difícil e complicada substituição para qualquer doente psiquiátrico grave.

Pronto então, voltemos à psiquiatria au naturel. Choques eléctricos com banhos frios e amarrá-los à cama quando estão agitados. E quem não gosta que se cure, não há cá pão para malucos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma espécie de telepatia ibérica

Na Turquia, a meio de uma excursão com pessoas de várias nacionalidades, parámos para almocar peixe grelhado num sítio muito agradável no meio do campo e do qual os guias nos tinham falado na espectacularidade da comida a manhã inteira. Tudo maravilhoso, até ter começado a comer o peixe. Aquela porra sabia a peixe de rio sem sal, ou seja, a nada. Eu e o fuschio tentámos mas desistimos e acabámos por dividir almoço a meias com os gatos que passeavam pelo restaurante (os turcos adoram gatos e eles estão por todo o lado, o que para mim era muito chato claro), ou seja, eles comiam o peixe e nós o resto. Olhámos ao longo da mesa e toda a gente parecia estar a adorar aquela porcaria, até que lá ao fundo, no fim da mesa, começámos a perceber que haviam gatos à volta do casal de espanhóis e que estavam a fazer o mesmo. Acabámos por sorrir uns para os outros e comentar que lá no nosso canto da europa se comia bem melhor que aquilo. A questão com os espanhóis é esta, são irritantes quando nos visitam e ainda mais arrogantes quando estamos no país deles, mas quando estamos longe é óbvio o quanto somos semelhantes. É um bocado como os primos.

Eu insisto em tentar não me deixar levar pela ressabiada embirração lusitana com espanhóis nem cair em generalizações mas eles insistem em ser maioritariamente irritantes:
1. não sabem português (o que é aceitável);
2. não querem saber português (o que é um bocado parvo, porque só fazemos fronteira com eles);
3. suspiram ou reviram os olhos quando percebem que estão a ouvir português e que quem fala do outro lado não percebe espanhol.

E foi neste carinho mútuo que se baseou toda a minha dinâmica com o senhor da cafetaria da estância de ski. Eu pedia-lhe um chá preto, ele revirava os olhos, dizia que não percebia e trazia-me contrariado chá preto. Vá-se lá perceber esta telepatia ibérica.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Criatividade para a alma

Aqui cheia de trabalho num trabalho supostamente criativo e só me apetece ir para casa pintar quadros para a sala.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

As coisas são como são


Um milhão e meio de pessoas manifestaram-se em Paris e quase três milhões em toda a França contra o terrorismo. É maravilhoso. Contudo, é uma pena que o tenham feito no seguimento da morte de 12 pessoas da redacção do jornal Charlie Hebdo mas que a mesma revolta nunca lhes tenha surgido pelos milhares que morreram e continuam a morrer na Síria, no Iraque ou no Paquistão, onde houve, num passado não muito longínquo, um ataque brutal a crianças e adolescentes, pelas mãos do mesmo fanatismo.

Será hipócrita? Prefiro acreditar que quer queiramos quer não, a nossa empatia está muito limitada à localização geográfica e também ao que queremos ver e saber do que se passa no mundo*.

Será preciso que o terrorismo nos bata à porta para que o possamos vencer?


*A propósito, um texto muito bonito partilhado publicamente no facebook sobre a "vergonha do viajante".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Receita para se sentir desinteressante, aborrecida e cansada

É só ir ter com a pessoa que esteve um ano a viajar de mochila às costas. "Então o que contas?" é uma espécie de ironia, certo?

(proponho um estudo: durante um ano, um gémeo viajava pela ásia enquanto outro ficava a trabalhar a tempo inteiro em portugal. Acho que adivinham qual envelhecia mais rápido.)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Estão 8 graus e amanhã tenho um casamento

E vou de vestido. E tenho aulas de manhã por isso vou ter de me andar a passear por Lisboa com menos de metade da camada de roupa que devia ter.
Pronto era o meu momento de autocomiseração.

(a noiva já me disse que no copo de água vão estar milhentos aquecedores a bombar e que aquilo vai parecer as caraíbas mas ainda assim, até lá chegar não me congelem os pés).

terça-feira, 9 de dezembro de 2014