segunda-feira, 18 de julho de 2016

Padecimentos

Estou com uma neura que nem posso comigo. Não dá para me mandarem para casa, medicada com sofá e uns pratos para partir?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Empatia supimpa

Adoro as pessoas que pregam a superioridade moral portuguesa com o vídeo do menino a consolar o adepto francês e minutos depois comentam como a nossa selecção tem mais pretos do que brancos (e ainda ciganos).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Anglicismo

Se o Éder dissesse que dedicava o golo à psicóloga ou à psicanalista, também achariam todos uau-fantástico, quem é ela?

terça-feira, 5 de julho de 2016

Winter is gone


Game of Thrones acabou e estou a adorar isto. Tenho 4 temporadas pela frente e todo um mês de agosto.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Come Together

do Xavier

Lembram-se daquele País orgulhosamente só, que acreditava que estaria eternamente livre dos problemas alheios se mantivesse as suas fronteiras hermeticamente fechadas, e que autorizava visitas de meia dúzia de estrangeiros por ano? Era um País muito pequenino, muito bonito, com pessoas muito boazinhas e chamava-se Tibete. Como podem calcular, pagaram um preço bastante alto pela parvoíce.

O que aconteceu no UK deixou-me perplexa, por várias razões.

Primeiro, o óbvio, a democracia é uma coisa maravilhosa, mas com uma condição indispensável que nos temos andando a esquecer: as pessoas têm que ser educadas, informadas, esclarecidas. Porque senão é só mais uma arma (e muito poderosa) para o efeito carneirada. Como foi. Só assim se explica que pessoas tenham afirmado que votaram no Leave porque achavam que o voto não contaria para o resultado final. É um bocado como votar no PAN por antipatia com o PS / PSD e ficar muito surpreendido quando se vê o amigo dos animais a chegar a Primeiro-Ministro. Só que aqui não há deputados para oferecer, era sim ou sopas.

É claro que várias promessas foram feitas, difundidas à moda inglesa e no dia a seguir ao referendo desmentidas com a maior cara de pau e de parvo possíveis. Mas ainda assim, não é preciso ser grande génio para perceber que, se alguém nos promete que "podemos comer o bolo europeu" e ter a mesma liberdade para circular bens e serviços, mesmo não estando na União Europeia (e pagando) e isto não nos cheira a esturro, é ingenuidade ou parvoíce, certo?

Em segundo, a imprensa. Eu que leio unicamente o The Guardian, escapou-me completamente o que se estava a passar nas capas dos jornais claramente apoiantes da campanha do Leave, com a enfatização dos dramas da imigração em detrimento de uma explicação clara dos prós e contras em partir. Não somos diferentes, basta lembrar-nos que o Correio da Manhã é o jornal que mais vende em Portugal. Será legítimo pedir também a responsabilização da imprensa que deixou alastrar mal entendidos ou devemos simplesmente partir do princípio que não se pode acreditar em tudo o que está escrito?

E depois, que unicórnio é esse, que 52% dos ingleses procuram? São dos Países que mais ganham com a União Europeia, negociaram várias cláusulas de excepção que os beneficiam, mantiveram a própria moeda que se mantem (ou mantinha) mais forte que o Euro, e ainda assim, acreditam que a União Europeia é uma prisão que os impede de exercer soberania? Que soberania mágica é essa? Que País passado é esse pelo qual tanto suspiram, onde todos eram livres, felizes, dinheiro jorrava a rodos e não havia imigrantes com quem o dividir? Parece-me que esse País nunca existiu. Afinal de contas, em que outro momento na História viveram simultaneamente paz e prosperidade económicas? Idade do gelo?

Por ultimo, a vida continua e a História também é feita de péssimas escolhas. Espero que não desate tudo em guerra civil. Eu ainda gostava de ir visitar a Cornualha e Stonehenge antes de haver porteiro.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Pró-vida, mas que vida?

Depois dos prognósticos positivos, das palmas, congratulações e cumprida a "missão e responsabilidade" do centro hospitalar, questiono-me para quem é que isto é bom afinal, se para a comunidade médica e o "avanço da medicina" ou se para este bebé, que alheio a tudo isso, nasceu de uma mãe morta, de um pai que não está disponível para o criar e que será, parece, criado pelos avós "velhinhos". Se daqui a cinco anos este bebé estiver numa instituição, alguém dos que se orgulharam tanto de o salvar, irá buscá-lo para o criar?

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nem luxo, nem lixo

Tem dias que preferia ser índio (e viver num eterno domingo).

A normalidade

Talvez tivesse tido mais atenção se criticasse os transmontanos ou os benfiquistas. Era só uma vítima de violência doméstica, o que "interessa sempre muito pouco".

De ressalvar que há uns tempos vi uma cartomante de um programa da manhã a aconselhar a telespectadora a consultar um psiquiatra, por isso não vamos generalizar. Esta Carla cartomante é que é uma besta.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Of course, but maybe?

Serei má pessoa por ter mixed feelings em relação a esta nova lei sobre prioridade obrigatória para grupos vulneráveis? Não questiono que efectivamente grupos vulneráveis devam ter prioridade, mas por vezes uma pessoa vulnerável pode ser um diabético ou alguém com um ataque de ansiedade.

Não deveríamos ser empáticos o suficiente para perceber a vulnerabilidade no outro, independentemente de? Ou isto é demasiado utópico? Por outro, será que todos os idosos e todas as grávidas são indiscutivelmente vulneráveis? Tão vulneráveis que passam a ter prioridade para mesa num restaurante?

(e nem quero entrar na questão da deficiência, que me parece ainda mais difícil de definir. Serão os deficientes cognitivos? Ou só motores? Um surdo, já é deficiente? E um esquizofrénico, é deficiente o suficiente?)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Princípio da Realidade

Lembro-me de, sentada no sofá dos meus avós, desenhar teclas num caderno e fingir que salvava o Mundo através do meu portátil inventado, que nem sobrinha do inspector Gadget. Pegava num telefone imaginado e entre dinheiro fictício e teclas, o meu computador transformava-se numa caixa registadora e eu numa merceeira, muito ocupada a trabalhar.

Hoje, com 33 anos, sempre que pego no telefone e escrevo no computador volto aquele sofá e sinto-me a mesma a criança a brincar de gente grande a trabalhar. Onde estava a porta de saída da infância, que eu nunca a vi?

Todo dia é o mesmo dia, nada novo sob o sol

Há dias em que gostava de poder conversar só com musicas.
(também podia dançar)

terça-feira, 24 de maio de 2016

A man's world

Acabei de ler cerca de 400 páginas da biografia do Jung. Um capítulo só para Freud e outro só para a casa que foi construindo em Bollingen. Um para as viagens, outro para o trabalho. A mulher com quem foi casado mais de 50 anos nem enche três páginas. Dos filhos, só percebi que tinha tido 5 pela Wikipédia.

Deixem-me morar na melhor Casa! #euescolho #eutambemsouestado #casadequalidadesoparamim



Há qualquer coisa cómico-decadente nas manifestações contra o fim dos contratos de associação com os colégios privados. Afinal, todos nós percebemos a zanga, mas a maioria dos adultos já desistiu dela algures no processo. Eu por exemplo, gostava de ter uma casa com quintal, estudei e trabalho para isso e continuo a não ter dinheiro para comprar uma casa com quintal. Onde está o Estado, para me ajudar a comprá-la? Não me digam que vão gastar esse dinheiro com subsídios de desemprego?

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Estás perdiendo el tiempo pensando

Ando esquecida e distraída. Entro numa casa e cumprimento duas vezes a mesma pessoa. Levanto-me do lugar e já não me lembro bem em que cadeira estava. Perguntam-me pelo fim de semana e eu só me lembro do que fiz até chegar ali. Alguém me explica alguma coisa e faço um grande esforço por me manter atenta, mas é-me tão difícil ficar focada numa coisa que não me interessa.

Ás vezes é um bocado assustador, costumava ter uma cabeça tão organizadinha como uma agenda. Espero que os meus neurónios não estejam a desistir de mim. É certo que pode ser cansaço, mas já tive períodos mais cansativos e não senti que a minha cabeça estivesse a ir de carroça com o corpo a puxá-la.

Uma amiga psicóloga diz-me que ando desorientada porque estou a perder referências. Eu sinto que me estou a alienar do que não me interessa, acionando um piloto automático que não controlo completamente.