terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Robin Valentim Hood

E eu que me dei conta que me roubaram um livro da caixa do correio? Ontem saí de casa ao fim do dia, vi-o na caixa do correio mas pensei que já estava pesada o suficiente para o passear por Lisboa. Quando voltei à noitinha já lá não morava. Nem queria acreditar, quem é que se dá ao trabalho de tal coisa? Roubar livros não é um bocadinho fora de moda?

Pensei em mil planos diabólicos: meter ratoeiras dentro da caixa, meter uma câmara, meter um pacote bonitinho disfarçado de livro e que dentro dizia "eu sei o que andas a fazer e onde vives" (só que não), meter um aviso a dizer aos senhores do correio para entrarem e me porem tudo à porta (como fazem carinhosamente os senhores da book depository com os livros que não cabem no correio), enviar um email a todos os vizinhos para se porem à escuta, mas depois pensei, que com um bocadinho de sorte, hoje alguém o está a receber de presente. Ou isso ou está na feira da ladra.

Amor que arruma a loiça da máquina

A seguir ao discutível mega sucesso do Eat, Pray Love, a Elisabeth Gilbert escreveu Committed, onde continua a história com o homem por quem se apaixonou em Bali, enquanto tenta pacificar-se com a decisão de não ter filhos e com a ideia de voltar a casar, sob pena do companheiro não poder voltar a entrar nos Estados Unidos. Recorre à mãe, à avó e às histórias de outras pessoas em relações estáveis, para perceber o que é isto afinal, de se estar numa relação e de se ser mulher-mulher e mulher-esposa. 

O livro nunca se tornou muito conhecido, talvez no fundo, ninguém tenha muito interesse em saber o que acontece a seguir ao amor de sonho.

Há uma frase qualquer em que ela diz que o que os monges procuram em vidas solitárias nos mosteiros, a maioria de nós procura em discussões na mesa da cozinha, nas confusas, incómodas, infinitas disparidades entre um casal. E eu concordo. Estar junto é aceitar essa quota de desconforto, que algumas coisas nunca serão exactamente como queríamos, porque está lá outra pessoa, mas que ainda assim, vale a pena.

Nestes dias de São Valentim, parece-me que as pessoas se identificam sempre mais com aquele amor que se conhece em Bali, longe do trabalho, do despertador, das rotinas, e pouco com o amor que se constrói mais na vida e menos nos sonhos. Não me chateia que me tragam água de coco enquanto estou esparramada na toalha, mas assim como assim, prefiro que me arrumem a loiça da máquina.

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Ou isto.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Under Pressure

(mas já houve alguma mulher que não tenha conseguido engravidar porque chegou aos 50 sem dar conta?)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Silêncio



Questiono-me se não eram afinal mais sábios os antigos, que festejavam os equinócios, idolatravam a lua e sol, as marés e os ventos, os fenómenos naturais visíveis, não controlados e sobretudo, vividos por todos os seres vivos que habitam esta Terra.

Um filme sobre a fé, que me pareceu mais uma história sobre a arrogância e poder. Quem ou que se julgavam os portugueses ou espanhóis, para ir evangelizar o Japão?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Igualdade a pedido




Ontem uma colega dizia-me: a partir do momento em que uma mulher nasce, o seu destino está traçado. Na cozinha, digo eu. De todo o tipo de desigualdade de género, aquela que sempre me irritou mais profundamente é a que se passa dentro de portas. Se as mulheres ocuparam cargos que anteriormente nunca ocupariam e podemos hoje zangar-nos pelo abismo salarial entre géneros, já da cozinha poucas saíram. Lembro-me de numa ocasião familiar uma mulher ter dito: "aqui há igualdade, os homens não precisam de abrir portas, nem dar passagem". Olhei em volta: todas as mulheres estavam de pé, em viagens regulares de levar e trazer pratos e todos os homens estavam sentados. Todos. E eram muitos.

É claro que há homens que cozinham. E também estendem roupa e sabem pôr máquinas a lavar. Mas há uma série de tarefas invisíveis que maioritariamente continuam a ser feitas por mulheres. Tenho uma amiga que diz que já tem óculos da google há muito tempo: anda pela casa e os olhos não param de identificar objectos espalhados pela casa à espera de serem arrumados. Mas aparentemente, mulheres e homens vivem em realidades diferentes. Aquele balde com água suja perdido no hall há uma semana só existe na realidade feminina. Homens, por todo esse Mundo, continuam a não encontrar o tupperware que olha para eles dentro do armário.

Tenho muitas amigas que são orgulhosamente independentes: estudaram o que quiseram, decidiram e constroem a própria carreira, conduzem o próprio carro, até organizam as próprias saídas e viagens, e são muito mais independentes do que qualquer avó podia ter sonhado. Mas em casa, têm que pedir que apanhem a roupa porque vai chover, têm que pedir que façam o jantar porque vão chegar tarde, têm que pedir que passem no supermercado e comprem pão, têm que pedir que lavem aquela panela que está há três dias no lava-loiça, têm que pedir que limpem o pó, têm que pedir que limpem as casas de banho, têm que pedir que troquem a lâmpada. Têm que pedir. Como se fossem a mãe do adolescente que revira os olhos quando lhe mandam arrumar o quarto.

Parte do problema, acho, é sermos demasiado exigentes. Passámos essa exigência para fora de portas, sem nunca abdicar de nenhuma das competências anteriores. Se hoje em dia é mais comum uma mulher não saber ou não querer cozinhar, poucas são as que se permitem sentar no sofá e ignorar a loiça acumulada na cuba, ou a roupa em cima da cadeira, ou o pó por limpar há duas semanas. Dizia-me no outro dia uma amiga grávida, que agora estava muito cansada e tinha que se desleixar mais com a casa, excepto cozinha, casas de banho e quartos, que tinham que estar numa higiene impecável. E ela não se estava a rir.

O ditador machista está em vias de extinção dentro de portas, mas continua a existir e de boa saúde, dentro da cabeça de cada mulher. Se calhar, tem mesmo que haver dias em que ninguém come em casa porque não há jantar, porque ninguém pensou nisso. Ou que não há roupa para vestir, porque ninguém tratou dela. Se calhar é mesmo preciso que tudo falhe, para que os mundos paralelos finalmente colidam.

Ou isso ou têm que pedir. Igualdade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Restam histórias

Sentados na mesa de café, o meu irmão pediu ao meu avô que contasse as histórias dele com o Mário Soares. A minha avó refilou, diz que já não se aguenta tanta conversa sobre o homem. Mas o meu avô, com a típica memória de 86 anos, iniciou o rol de histórias do passado numa orientação temporal confusa, mas que eu e o meu irmão conhecemos desde sempre e vamos apoiando o discurso.

Terminou a sorrir "belos tempos". A minha avó com sorriso de orelha a orelha responde-lhe: éramos novos.

Mas tudo isso faz parte do passado. E em breve, dos meus avós, também só me restarão as histórias. Preservo-as com carinho.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

The Road Not Taken

Há dias em que me lembro do fosso que existe daquilo que tinha imaginado que seria ser adulta e aquilo que está a ser. So responsible, practical, logical.

Há dias em que acho que isto não é assim tão mau e é aproveitar o melhor que tem para dar. I'm still standing anyway.

Mas na maioria dos dias, vou de um sentimento ao outro, em segundos. Faço zoom out à minha vida e a mim própria e só vejo a mancha de sentimentos mesclados e indecisos, quando queria mesmo era ver tudo límpido e claro. Fuc** it. Let It Be.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Teorias do Caos

No outro dia alguém comentava que o amigo-astrólogo se tinha tornado gradualmente menos amigo e em (des) compensação, muito mais astrólogo. Todas as dores, vitórias, desabafos eram esmiuçados em retornos e planetas retrógados, conjunções, oposições, vénus e martes a passar nos sítios errados. E eu disse, que engraçado, eu sinto exactamente o mesmo com alguns amigos psicólogos. Tudo é esmiuçado à luz de psicodinâmicas, jogos de vida, sabotadores internos e acompanhado daquele olhar "eu sei".

A verdade é: ninguém sabe nada. Usamos teorias como bússolas, para nos orientarmos no Caos que é ser-se uma pessoa. Não são tudo. Na verdade, cada vez mais acho que são muito pouco. Não conheço nenhuma astrologia, psicologia, filosofia ou pedagogia que se levante do papel e dê um abraço. Não há nenhuma teoria que me ajude a consolar um miúdo que espera pelo pai há quatro horas e chora desalmadamente porque acabou de saber que ele já não vem.

Somos e seremos sempre maravilhosamente seres à deriva. E a única coisa que nos salva, por mais cliché que possa parecer, é o amor que temos uns pelos outros. Ponham os olhos nos pinguins.

All I want for Christmas

Várias pessoas este ano me confessaram que não queriam passar o Natal com a família alargada porque ia implicar comprar presentes. Passamos o ano a reclamar da falta de dinheiro (e tempo) para fazermos as coisas que gostamos, para depois derretermos ambos nesta espiral diabólica do Natal. Basta passar à porta de um shopping para ver a prisão social em que todos nos colocamos anualmente.

Sinto, em várias situações e em várias áreas, que as pessoas estão desejosas de mudança. Mas depois nada muda. O que é que falta?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Fins de semana longos

Uma querida amiga perdeu a mãe num acidente de carro. Esquecemo-nos que é tantas vezes sem aviso que partem as pessoas mais importantes das nossas vidas. Somos exímios em arranjarmos preocupações e ocupações para não estarmos com as pessoas de quem gostamos: tempo, distância, filhos, trabalho, cansaço. Mas uma tragédia força-nos a ser honestos connosco. Rapidamente e sem alinhamento de planetas, todos arranjámos tempo.

No velório dei-me conta da coincidência de ter na mala o livro tibetano da vida e morte. De facto, às vezes parece que é preciso alguém morrer para percebermos que ainda estamos vivos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

No entanto

Ah e tal e o que é que trazias do Japão? One word: miso. Eu sou pessoa para comer miso todos os dias ao pequeno-almoço (e no hotel, comia. tinham uma máquina de miso <3). E já estou a ver que esta cena se vende no Celeiro, é todo um novo mundo de pequeno almoço!

As saudades que eu tinha da minha alegre casinha

Gosto sempre de voltar de viagem e tirando a Escócia nunca visitei nenhum País onde me conseguisse imaginar a viver. Fico sempre emocionada de ver Lisboa de cima e de ser recebida quase sempre pelo céu azul que só esta cidade tem. Ao fim de três dias fora já sonho com bitoque, sopa, pão e com batatas fritas que até podem ser mc donald's. Por mais espectacular que seja o sítio, eu prefiro duas semanas a comer bife com batatas fritas do que a comer rámen ou esparguete à bolonhesa.

Mas chegados a Lisboa, numa fila de três voltas para táxi, está um taxista a despachar um gajo com dificuldades motoras, porque decidiu que a cadeira de rodas e as muletas não lhe cabiam no porta-bagagens e portanto não esteve de modas, meteu-lhe as coisinhas todas para fora do táxi e deixou-o pendurado no meio da estrada (literalmente, nem o ajudou a chegar ao passeio de novo). E uma pessoa lembra-se que Portugal tem coisas muito boas mas porra, também tem muita merdinha para resolver.

Relembrar

Nunca, nunca, nunca mudar a password do computador antes de ir de férias.