sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Os velhos do Restelo do Ice Bucket Challenge

Já se questionaram quanto gastam de água em banhos diários? E quanto gastam só à espera que o esquentador aqueça a água? Eu sei, 5 litros. Um garrafão de cada vez que tomo banho. A minha solução foi encher dois garrafões alternadamente, que uso depois para regar as plantas.

Já pensaram quanto se gasta em autoclismos ou em garrafas de água nos restaurantes que ficam a meio? Quanto se gasta nas regas ao meio dia? Quanto se gasta de água em spas, tão na moda? Quanto se gasta em piscinas? Muitas delas com água de furos, que nem paga foi.

Nós gastamos muita água, é um facto. E sempre fui sensível a essa questão. Tento poupar em algumas coisas, noutras não consigo porque por exemplo, me dá prazer estar 20 min no banho. O Ice Bucket Challenge pode não ser a maneira mais eficiente e directa de resolver problemas a quem tem esclerose lateral amiotrófica (um donativo também me parece mais óbvio) mas o que é facto é que tem dado muitos minutos de fama a uma doença de que pouco se fala. Têm outra solução para ajudar? Óptimo! É preferível arranjar soluções a problemas.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Pessoas com cães que vivem na cidade

Por amor de deus, passeiem os cães com trela. Ainda há pouco saí de casa a correr com os ganidos de um cão que tinha acabado de ser atropelado, mesmo em frente ao dono. Parece que o bicho saiu disparado directamente da porta da rua para a estrada e não há condutor que consiga ver uma coisa com dois palmos de altura a pôr-se debaixo das rodas. O bicho fazia tal barulho que toda a gente veio à janela ver o que se passava. A culpa? Do idiota do dono. Desculpem, mas para mim só pode ser idiotice.

Pelo mesmo motivo, uma amiga minha atropelou mortalmente um cão cujo dono achou que tinha piada passeá-lo livremente numa praceta, no meio dos carros. Mais uma vez, ninguém consegue ver um bicho de dois palmos a pôr-se debaixo de um carro, no meio de outros carros.

Se querem dar-lhes liberdade levem-nos para a praia na época baixa, mas não lhes dêem uma morte estúpida por favor.

Tomem lá mais cinco razões.

Entre a esperança infatigável e a sensata ausência de expectativa

"Tinha lido em Plutarco uma lenda de navegadores relativa a uma ilha situada nestas paragens vizinhas do mar Tenebroso, e para onde os Olímpicos vitoriosos teriam, há séculos, repelido os Titãs vencidos. Esses grandes cativos da rocha e da vaga, para sempre flagelados por um oceano sem sono, incapazes de dormir, mas incessantemente ocupados a sonhar, continuariam a impor à ordem olímpica a sua violência, a sua angústia, o seu desejo perpetuamente crucificado. Reencontrava naquele mito colocado nos confins do mundo as teorias dos filósofos que havia feito minhas: durante a sua vida breve, cada homem tem sempre que escolher, entre a esperança infatigável e a sensata ausência de expectativa, entre as delícias do caos e as da estabilidade, entre o Titã e o Olímpico. A escolher entre eles, ou a pô-los, um dia, de acordo um com o outro."

Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O homem que não conseguia parar


O livro é uma viagem do autor pela doença, desde os primeiros casos conhecidos da POC, passando por artigos, os mais aberrantes casos, as mais recentes investigações científicas e muito da sua vivência pessoal relacionada com a doença, tentando mostrar o quanto esta é complexa e vai muito além da ideia estereotipada do obsessivo-compulsivo como o que lava as mãos até sangrar e arruma as camisas e cuecas por dias da semana. Diz ele que é tão útil dizer a um obsessivo que os seus medos são irrealizáveis, quanto dizer a um depressivo para se animar. Explica como os seus pensamentos obsessivos sobre o receio de apanhar HIV nas situações mais caricatas se tornam o foco da sua vida que acaba por decorrer em piloto automático e como as compulsões se tornam insuportáveis depois do nascimento da filha. 

Contudo faltou-lhe (para mim) um ponto de vista mais psicodinâmico (ficou-se pelo Freud, com quem é extremamente fácil embirrar por variados motivos, sobretudo se nunca tivermos em conta que as suas conclusões têm mais de 100 anos) e simbólico, porque assim parece que o livro acaba com uma certa descrença e fatalismo, como se todos os doentes mentais (conceito já de si muito subjectivo) tivessem nascido com um fusível estragado no cérebro e que é uma coisa que lhes aconteceu e pronto, alguém agora tem que inventar um medicamento para os arranjar.

Para quem não sabe, existe em Portugal uma associação de apoio ao paciente (e familiares) com perturbação obsessivo-compulsiva. A seguir gostava de ler o livro do Andrew Solomon sobre a depressão. Alguém sabe se está traduzido para português? Aparentemente não e não sei se estou preparada para destrinçar aquilo com o meu inglês preguiçoso.

Allgarve

as salinas de castro marim, vistas do castelo 
(onde já se preparava a famosa feira medieval)


- ia a contar com água muito quente, mas parece que levei o clima de sintra: água fria e vento;
- dá para reconhecer há quanto tempo as pessoas lá estão pelo tom de pele;
- está cheio de espanhóis que têm uma noção de bolha muito particular: se vir uns pés em cima da sua toalha, provavelmente são espanhóis*;
- tem pessoas mais produzidas para jantar num sítio que se chama zé da tasca** do que no bar de praia pézinhos n'areia;
- na mesma praia (praia verde) encontrei um camaleão e encontrei avisos sobre os mesmos na ilha de tavira;
- detestei monte gordo, parece-me a tapada das mercês mas em frente à praia, e representa tudo o que mais detesto no algarve;
- adorei tudo o resto: castro marim, vila real de santo antónio, tavira e até vilamoura;
- pensei que ia encontrar muito bom peixe grelhado e já vi que não: chocos, bacalhau e bifes de atum comam-nos vocês***;
- o mundo é pequeno: fomos ao hospital lá e o médico que nos atendeu tinha vivido na nossa rua até aos 30 anos;
- as portagens da A22 terão provavelmente o valor mais alto por km que já vi, o que não é muito justo para quem vive lá os outros 9 meses do ano em que o algarve não é um destino turístico e que teriam toda a vantagem em trabalhar nas cidades e viver no interior da região;
- é muito rica a diferença do algarve litoral para o algarve do interior;
- o ano passado explorei mais a zona de sagres e este ano andei mais pelo sotavento, mas quero voltar para explorar melhor o centro e interior e de preferência sem ser em agosto.


* apesar de pessoalmente não ter nenhuma embirração pessoal com espanhóis, muito pelo contrário.
** a julgar pelos olhares reprovadores na fila, cometi o erro de ir para lá directa da praia.
*** vá, comi uma vez peixe espada grelhado, com o dobro da dose normal.

Suspiro


sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

A fechar a loja





































Boyoun Kim

partidas e chegadas

Começo e acabo a semana com despedidas*. E não é de férias, é mesmo adeus.
Já sei que a vida é feita de partidas e chegadas, mas caramba, parece que fiquei aqui no cais de embarque.


* e não gosto nada

terça-feira, 29 de Julho de 2014

A seguir aguardo visões sobre resultados do euromilhões (olha até rimei)



Em todas as aulas de yoga eu me debato com o relaxamento. Primeiro porque o ponto óptimo entre relaxar e adormecer é tão difícil quanto fazer o pino (que não faço). Estou sempre com medo de ser acordada pela professora enquanto ressono e me babo. Hoje houve uma rapariga que adormeceu e só se levantou quando já estávamos a meio de outro exercício e teve a minha total empatia.

Segundo, eu sou uma pessoa que consegue sonhar entre duas estações de comboio (juro, já aconteceu). E quando chego à cama adormeço em dois segundos, mas se falarem comigo a seguir, eu converso. E como é óbvio, não digo pão com chouriço. Sinto-me um bocadinho como aquelas pessoas hipnotizadas que fazem de galinhas ou de outras figuras humilhantes. Bom mas vinha aqui dizer que hoje no yoga consegui (mais uma vez) não adormecer, mas guardo a vaga ideia de estar a sonhar com um miúdo pequeno de cabelo lambido que queria assassinar a mãe.

Os ciclistas irritam-me

Irritam-me quando não param nos sinais vermelhos (já vi), irritam-me quando não param nas passadeiras (já vi), irritam-me quando andam pelos passeios quando a estrada está demasiado cheia e não lhes interessa (já vi). Quanto a esta ultima, por mim podem andar no passeio, desde que transportem a bicicleta ao lado (como fariam numa subida) e que não utilizem o passeio como uma estrada desimpedida e à velocidade que lhes apetece, com peões a escassos centímetros. 

Não me debrucei muito sobre o assunto, acredito que hajam nuances, mas à partida não percebo porque deve ser sempre o seguro de um automobilista a pagar a despesa de um acidente ainda que ele tenha sido causado por um ciclista, com a justificação de que a bicicleta é “boa para a saúde, ambiente e economia”. Parece-me que se levar com uma em cima, estou-me perfeitamente a borrifar se foi bom para o ambiente e para a economia ou para a saúde dos restantes.

Muitos direitos poucos deveres é?

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Espero que se dêem bem nas férias


Dei-me conta que fechei o ano com os Antónios e agora vou de férias com os David. Eu juro que não faço de propósito.

Mudasti

daqui
Tenho perfeita noção que esta imagem não transmite a noção de foleiro que eu estava a falar,
porque provavelmente não existem bikinis foleiros em corpinhos super model.
Mas prontes, imaginem num corpinho de pessoa normal.

A Calzedonia costumava ser sinónimo de bikinis tão caros quantos giros. Bom um de nós mudou. Há pouco entrei lá e tinha mais de "dezáine" ao gosto chinês (que se caracteriza pelo mais é sempre demais) do que giro. O que não tinha missangas nem brilhantes tinha cor fluorescentes em degradé com renda. Como dizia um professor meu na faculdade à minha centésima tentativa de terminar o trabalho: "olhe vamos tentar assim: faça tudo de novo, mas agora só com azul e prateado".